Que horas são? São oito e meia. Está na hora de me levantar e ir até às Três Marias com o Iuri. Hoje é que vai ser. E o tempo está bom, apenas com um pouco de vento.
Este pão torrado com o chá de camomila sem açucar está mesmo a saber-me bem. Vou levar um pacote de biscoitos para comer durante a caminhada.
A Nela ainda está dormir, por isso nem sequer vou fazer barulho, para que fique bem durante a minha ausência.
Vou levar a mochila e não me posso esquecer da máquina fotográfica. Tenho a certeza que vou encontrar paisagens deslumbrantes para mais tarde recordar. O telemóvel já está aqui. Levo também este impermeável, pois pode chover. Não me posso esquecer de levar água, para mim e para o cão. Acho melhor levar as calças castanhas, pois têm muitos bolsos e dão mais jeito que a mochila para caminhar pelo meio do mato e sempre vou mais à vontade.
Que horas são isto? Nove horas. Está na altura de ir embora.
Iuri! Iuuurii! Anda, vamos embora! Vamos até às Três Marias, está bem? Anda pá!
Vá lá, sobe para o carro! Vá, sobe! Isso mesmo! Muito bem!
Esta estrada já está arranjada. Assim dá gosto vir para estas bandas.
Iuri vamos deixar aqui o carro, pois fica fora da estrada e vamos este bocadinho a pé, até aquela cancela. Anda Iuri, salta. Salta pá!
Olha temos que passar ao lado da cancela, por estes degraus, para passar para o outro lao do cerrado.
Anda cá Iuri, deixa pôr-te a trela até passarmos estas vacas. Depois solto-te outra vez.
Está vento, mas um pouco de calor por causa da subida, mas lá mais para cima há-de estar mais fresco. Ainda bem que trouxe este blusão com capuz.
Vá lá Iuri, agora o mundo é teu. Podes ir para onde quiseres. Vou enrolar a trela à minha cintura para que não tenha que a transportar na mão. Assim está melhor.
Aí estão as ilhas. Parecem mesmo Três Marias. Deixa ver se ainda há a ponte para chegar até elas. Hé pá, já não existe a ponte. Apenas tem o local onde assentava em cada um dos lados. Assim não se pode atravessar. O mar está muito revolto, mas com a maré vazia e mais calor, deve dar para atravessar a nado ou mesmo com um bom salto.
Iuri, sai daí, que podes escorregar e cair lá embaixo. Anda cá. Anda. Assim está melhor.
Acho que vou tirar umas fotos bem bonitas de toda esta zona.
Vou ali para a esquerda ver como está o que resta da muralha da antiga fortaleza.
Hé pá, fogo. Que vergonha. Estes gajos não ligam mesmo nada à sua história. A mulhara já quase não existe. Quando cá cheguei, há 19 anos, era uma muralha que aqui estava. Mal tratada, mas sabia-se que era uma muralha. Agora o que está parece mais uma fila de pedras prestes a cair com o mais pequeno abalo. Tristeza de gente. Para terem isto, mais valia não terem nada. Até porque o que resta da muralha é um perigo para quem anda por aqui, pois pode haver uma derrocada e ferir alguém. Bom, vamos tentar subir àquela vertente e ver o que há do outro lado.
Iuri! Iuurii! Onde é que está o raio do cão!? Iuuuriii! Iuuri! Àh estás aí! Anda, vamos para este lado, está bem? Vá, vamos lá embora.
Uau! Que espectáculo! Isto merece mais umas belas fotos. É mesmo bonito. Que pena a Nela não estar aqui comigo. Ia gostar de ver esta paisagem magnífica. Pode ser que um dia destes possa vir connosco.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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